quarta-feira, 4 de maio de 2011

Crônicas e blá blá blá...

Uma das coisas que mais gosto nessa vida é ler. Não gosto de ler porque sou jornalista. Sou jornalista porque gosto de ler. Poderia ser trapezista do Cirque Du Soleil e, mesmo assim, continuaria gostando.
E sabe o que eu mais gosto de ler? Crônicas. Acho que gosto muito de crônicas porque conta, de forma breve, um fato da vida real. E não somente isso (porque se fosse assim, ficaria satisfeita em ler notícias apenas). A crônica tem o poder de expressar o fato testemunhado... ou melhor, vivido pelo seu autor.



A crônica vem carregada de emoções, peculiaridades, particularidades. Permite-se até o uso de palavrões, gírias, sinceridades. E isso é o que realmente me toca. Acredito que esses motivos pelos quais adoro crônicas vêm do meu lado psicóloga. Mas enfim.
Sei que preciso ler ainda mais do que já leio hoje (que não é tanto quanto deveria). Mas quando um livro de crônicas chega à minha mão, fico que nem pinto no lixo. E isso aconteceu na tarde de ontem, ao deixar um amigo que ia para uma entrevista na porta de uma grande emissora de TV.
Sem poder entrar, e com preguiça de esperar por quatro horas, decidi ir ao shopping mais próximo. O que uma moça, com 24 anos recém completados, poderia fazer no shopping? A resposta mais óbvia seria: olhar roupas. Surpreendi-me comigo mesma ao entrar em uma grande loja, dessas que fabricam roupas em série, ao estilo fordista de produção, olhas as primeiras araras, sem ao menos tocá-las, e pensar "ei, eu não quero ver roupas!".
Saí da loja, sem rumo, e andando pelo intermináveis, cansativos e escorregadios corredores daquele lugar (programa que geralmente dispenso), eis que brilha na minha frente, como uma aparição mariana, o letreiro de uma livraria. Nossa, há quanto tempo não entrava, "de cabeça", em uma livraria?
Meu primeiro deleite foi na parte de CDs. Queria o disco de uma cantora chamada Adele, mas não encontrei. Só via duplas sertanjeas. Fiquei, inclusive, impressionada com a quantidade lançada no mercado. Será que, mesmo essa galera fanática por sertanejo, conhece todas elas?
Enfim, eu estava estreando o sapato preto que ganhei no meu aniversário. Sempre fui encantada pelo "poc, poc" desses sapatos altos. Acho elegante. E enquanto andava entre as prateleiras, sensações orgásticas me invadiam com este prazer infantil, que sempre me fez associar este som à imagem de "mulher de sucesso". E esse "poc, poc" foi me acompanhando às prateleiras de livros.
Primeiro, avistei a área de Psicologia, passando em seguida a área de auto-ajuda (é impressionante a quantidade de livros nessa prateleira), seguindo para os best-sellers (e me perguntei como alguns daqueles livros ali expostos poderiam ser considerados best-sellers) chegando, enfim, às minhas partes favoritas: literaturas estrangeira e nacional.
Peguei um livro cujo título e a orelha me chamaram muito a atenção. Pensei até em comprar, a princípio, mas minha intuição disse: "passa uma olhada nas páginas, Lara". Sentei-me em uma mesa próxima. À minha frente, uma moça bem loira, com sardas no rosto, fazia o mesmo. Pedi licença e sentei.
A princípio o texto se mostrou bem interessante, apesar de não ser um dos meus estilos favoritos. Era a história de uma menina, que morava na casa de um tio que jamais tinha visto, e que havia deixado a ordem para suas governantas de não ensinar sua sobrinha a ler. O motivo? O babaca, anos antes, havia se apaixonado por uma moça bobinha e, por causa disso, resolveu intelecualizá-la. A moça, antes apaixonada por ele, seguiu para Nova York e estudou artes, música, filosofia e afins.
E ficou inteligente! Se deu conta que amava um idiota machista que a havia mandado para estudar pois amar uma iletrada era inadmissível e precisam igualar seus intelectos (o panaca não a achava suficiente para ele). Bem feito! Ela o largou por outro.
Pobre da sobrinha dele. Pagou o pato por uma frustração antiga. Mas era entre as prateleiras da biblioteca escondida e empoeirada do tio que, aos poucos, as palavras iam sendo desvendadas como hieróglifos.
Tá, tudo bem. A história foi interessante até esse ponto. Quando percebi que o sono foi batendo e, para disfarçar, segurava a cabeça com uma das mãos para tirar um conchilo, fingindo estar acordada, pensei que era hora de fechar o livro e procurar outra coisa para ler.
Fiquei alguns minutos sentada àquela mesa, pensando no que gostaria de ler até que me veio à cabeça a preferência por crônicas. E surgiu um nome conhecido dentre meus arquivos mentais: Tati Bernardi. Parece nome de escritora infantil, mas já antecipo: de literatura infantil não tem nada.
Já havia lido alguns textos no site dela, terapeuticamente prescritos por uma amiga semi-psicóloga (a chamo assim porque ela ainda não formou), e tinha me encantado pelo seu estilo literário particular. A Tati escreve sobre ela. E ela é o resumo de todas as mulheres do mundo entre 20 e 35 anos.
Pedi ao rapaz que organizava os livros, outrora retirados das prateleiras por outras pessoas, e que cheirava a algum perfume deliciosamente cítrico, que verificasse algum livro dela. O único disponível tinha um título meio jovial demais para o estilo da Tati e que, a princípio, me fez torcer o nariz. Chamava-se "Tô com vontade de uma coisa que eu não sei o que é". Livrei-me da capa do pré-conceito a qual estava vestida e mergulhei entre suas páginas. E me surpreendi. Muito.
A surpresa, até um tanto esperada, me fez perceber que muitas coisas descritas por ela nos textos são nóias que permeiam minha cabeça diariamente. Os conflitos sentidos por ela em determinados pontos são os mesmo vividos por mim. E pela Renatinha. E pela Talita. E pela Paula. E pela Rafa.
Em uma hora, lí metade do livro. O que me fez parar de ler e preferir comprá-lo que continuar lendo naquele lugar, foram duas coisas: o ar condicionado gelado em cima de mim e o barulho que uma velhinha sentada a minha frente (a moça loira e sardenta já tinha saído há tempos, sendo substituída por uma adolescente gordinha e depois por esta senhora) fazia quando respirava (parecia um ronco) e quando colocava o centeúdo de um saquinho branco, que carregava na mão, na boca.
E só abrindo um parêntese. É... é uma mania esquisita minha. Odeio barulhos feitos com a boca, tipo mastigação. O auge para mim é se alguém mastiga gelo ou alguma bala dura. Se quer algo gelado na boca, beba água gelada porra! E se quer chupar bala, chupe-a! Tenha paciência dela derreter em sua boca. Para que a pressa de acabá-la, mastigando assim que ela toca sua língua? Ok, voltemos ao assunto.
Os textos da Tati são interessantes porque fazem surgir em você vários tipos de sentimentos para com ela. Em um mesmo texto se sente confortada, a acha chata e reclamona e termina achando que não poderia haver final melhor. E o engraçado é que, quem vai até o final do livro para ver sua foto, não acredita que aquele rosto tão angelical escreveu palavras muitas vezes tão duras. Duras consigo mesma e duras com os infinitos amores por ela vividos. No final das contas, esperei pelo meu amigo não por quatro, mas por cinco horas e meia, que valeram por todo o meu dia.
Acho que tenho um quê de Tati Bernardi assim como de Renatinhas, Talitas, Paulas, Rafas, Giselles, Déboras, Julianas, Izabellas, Danielas, Clarissas, Marias. E todas me fazem ser essa Lara-minha-de-cada-dia. Essa Lara, que a cada dia, descobre ainda mais o quanto gostaria de ser escritora.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Reticências...

Pois é. Eu já tinha desligado o computador, a luz, a televisão... Só não consegui desligar uma coisa: você. É, eu sei que é bemprovável que já tenha me desligado feito um video game que a gente joga, joga, joga e num determinado ponto, a gente enjoa e aperta "off". Acho que eu deixei de ser novidade pra você.
E já estou até me acostumando com essa ideia de ser altamente volátil, como éter destampado. Mas eu queria que soubesse que, apesar de você não ter nada a ver com o que veio antes na minha vida, eu estou cansada. Extremamente cansada. Já não aguento mais essas tsunamis de emoções que duram, no máximo, dois meses. Qual é o problema, caralho? Eu fiz alguma coisa? Ou melhor, eu faço alguma coisa pra que isso aconteça? Porque?
Estou eu cá, deitada na minha cama, com a cabeça cheia de coisas por dizer e que... simplesmente não digo. Não consigo. Não ajo. O problema sou eu? Ou o problema é você? Quem construiu esse muro entre a gente: eu ou você? Quem sentiu, pelo menos uma vez, mais saudade? Eu ou você? Quem pensou mais um no outro? Eu ou você? Peraí... já houve alguma vez eu e você? Nos meus mais íntimos pensamentos, houve. Um "eu e você" suave, como aquela maresia da praia no dia em que eu estava triste.
Houve um "eu e você" quando me olhava como um menino olha o presente de natal na manhã do dia 25 de dezembro. Houve um "eu e você" quando segurou minha mão dentro do cinema. E até mesmo quando quis competir comigo quantas fatias de pizza
seriam comidas num rodízio. Eu estava bem... eu estava leve... eu estava como há muito tempo não conseguia estar. Eu me segurei até onde pude; lembrei de você com humor e desapego. E, de repente...
É... reticências. Aliás, essa história está reticente demais. Três pontinhos doem. Doem tanto quanto olhar para você e não perceber mais aqueles olhos de surpresa. Doem tanto quanto segurar a sua mão e não sentir aquela firmeza de antes. Doem tanto quanto não ouvir mais que sentiu saudade e de me pedir para voltar logo. É o que? É um outro alguém?
E será que esse outro alguém conhece todos os contornos do seu rosto? Será que sabe que tens uma cicatriz próxima ao nariz, na bochecha direita? Será que esse outro alguém sabe que, quando dorme, seus olhos ficam meio entreabertos, dando a impressão de que está acordado? E que, quando lava o cabelo, usa boné pra ajeitá-lo? E que a sua fruta favorita é kiwi, que não tem cravo nas costas e que calça 43? Será que esse outro alguém já te viu chorar de felicidade
e te viu assumir que joga videogame muito mal?
Esse alguém já te fez um curativo? E te fez carinho nos pés com os próprios pés? E te entendeu pela sua falta de atenção... e ainda assim admirou seu grande esforço em guardar cada detalhe na memória? Esse alguém já beijou quatro numa noite, sabendo que você estava perto... mas, no final das contas, só queria você? Esse alguém lembra exatamente da roupa que estava
quando o conheceu? E te fez carinho antes de dormir? E te fez carinho ao acordar? E riu das suas tiradas... e foi vê-lo caminhar na praia... e segurou na sua mão na frente da sua família? E ouviu você dizer que queria sossegar?
Dói lembrar de tudo isso, e saber que passou rápido. Eu até poderia supor que tudo talvez tivesse um prazo de validade, mas assim, tão rápido? Achei, por um breve momento, que você ía sorrateiramente entrar na minha história como um longo capítulo, com parágrafos
bem definidos, com métricas e, quem sabe, até rimas. Não deu tempo nem de escrever a primeira página.
Você nem chegou a saber qual era a minha comida favorita, quais eram os meus sonhos, se eu era organizada ou desorganizada. Você sequer chegou a saber se eu ando de chinelo ou descalça em casa... E como eu fico desconsertada quando canto. Não sabe que prefiro pintar as unhas de vermelho e que escolho as roupas que uso pra te agradar.
Hoje tentei agir diferente pra ver se, de fato, me conheço tanto quanto gostaria. Andei de chinelos em casa, deixei minhas roupas bagunçadas, tomei açaí com a mão esquerda, usei um sapato que há nove meses não usava. Até usar as meias até o meio da panturrilha usei, apesar de achar ridículo ir malhar assim. Estranhei quando, antes de deitar, lavei o rosto e me deparei com aqueles olhos verdes tristes... tristes em saber que não pude dividir nada disso com voce. Triste em saber que passou... evaporou.
É uma pena, garoto... Uma pena que não tenha se dado a chance de viver ao lado de alguém que poderia lhe trazer tanta coisa boa. Sem modéstias mesmo! Alguém que seria sua amiga... sua companheira... sua mais louca amante. Alguém que, com certeza, te acrescentaria. Não somente pelo o que ela é... mas pelo o que ela teria sido pra você. E agora, depois das idiotas expectativas, eu fico assim... chorosa... sozinha. Ah...porque ainda tem isso, né? Eu estou completamente sozinha. Na verdade, não... sejamos justos... estou comigo mesma. Hum... teria sido... éérh... teria sido... acho que não tem uma palavra pra descrever o que teria sido. É isso... teria sido. Ponto.
Mas não esquente a cabeça... até porque estou tentando esfriar a minha. Você vai passar... você também vai passar. Assim como vários outros passaram. Com você achei que seria diferente. Mais uma vez me enganei. E chega de lamúrias. Cada um tem sua escolha a ser feita. Você fez a sua e eu, a minha. E eu escolho cuidar de mim. Infelizmente não tenho o botão "RESET" pra apagar todas as lembranças. O único botão que ainda tenho é o botão de rosa que você me deu, guardado dentro da minha agenda.
Estou enjoada deste jogo. Então... acho que está na hora de clicar no botao "off". E dar, de uma vez por todas, game over nessa saudade que não cabe no peito. Um dia, essa saudade escapa... esvai... se torna volátil... como éter... como nós.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Do meu jeito

Questionaram-me porque que faz tanto tempo que não escrevo. Minha resposta? "Ah, sei lá... às vezes devaneio, mas quando o faço estou tão longe do computador. E quando estou perto, dá uma preguiça...". Interessante como, na verdade, dá preguiça de tanta coisa nessa vida.
Essa expressão me foi ensinada por um amigo. Após contar uma situação complicada à ele, vem ele e solta: "Ah, Lara... dá uma preguiça disso aí". É verdade. Quanta preguiça tenho de determinados momentos que me acontecem, de dúvidas que me acometem, de desculpinhas esfarrapadas que ouço, de hipocrisias, lamúrias infinitas, idiotisses e coisas e tal. Quanta preguiça me dá de tempo parado, ideias arcaicas e poesias não terminadas.
Estou eu cá, em frente ao computador, às 4h05 da manhã, devaneando depois de tanto tempo. E tudo por causa dessa minha busca-incessante-pelo-equilíbrio. Vem cá, o que é equilíbrio? É ter um trabalho bom, um corpo escultural, um cabelo estilo propaganda de shampoo, um amor no peito e um amante no meio das pernas? Tá, ok... então estou ferrada! Porque nada... nadica... niente... nothing... eu tenho.
Mas sabe o que eu tenho? Tenho uma gargalhada contagiante. E algumas tiradas de humor bem legais. Sabe o que eu tenho também? Um terapeuta fantástico, que me faz "expurgar" meu sentimentos mais reprimidos através de pelos encravados, furúnculos e terçóis. Tenho amigos imensuráveis... e que me intitulam como "agregadora".
Ah, tenho cd´s de zouk . E uma plaquinha escrito "Chica Sexy" batizando meu carro, junto à dadinhos de pelúcia preto e branco. Tenho uma passagem comprada para passar reveillon no Rio de Janeiro com as minhas melhores amigas. Tenho um amor de infância inacabado e uma paixão retardada por um bunda mole. Tenho um ventilador que funciona quando quer e uma mãe inteligentíssima.
Tenho medo de escuro. Ah, se tenho! Tenho três tatuagens e um sinalzinho no seio direito. Tenho amigos em Rondônia, sim... assim como em Curitiba, Fortaleza, João Pessoa, Maceió, São Paulo, Minas Gerais, Brasília, Balneário Camboriú, Ponta Grossa, Goiânia... Tenho uma sobrinha postiça e um sobrinho de sangue. Tenho uns 300 livros, umas 2 mil fotos e uma coleção de rolhas de vinho.
Tenho um violão. Anda meio mudo, mas mesmo assim o tenho. Tenho pseudo-pacientes, uma atração por músicas do Astor Piazzola e 68 cd´s dentro do meu carro. Tenho saudade... tenho raiva... compaixão... pena... tenho sorte... e azar. Tenho lágrimas... sorrisos de canto da boca... vontade... vontade... vontade...
Tenho acessos de raiva. E nessas horas meu coração só falta sair de dentro do peito. Sou jornalista... quero ser psicóloga... quero ser cantora... Tenho unhas curtas, dedos gêmeos dos pés... tenho um rasgo cicatrizado na orelha... e um irmão meio bruto, mas gente boa.
Tenho um estranho medo de ver peixes vivos. Tenho um tesão enrustido por um colega de sala. Tenho uma imensa admiração por uma professora. Tenho vontade de usar batom vermelho. E tenho quase todos os livros de Harry Potter e Monteiro Lobato. Tenho dó... tento ter fé... tento nunca ficar só.
Tenho amiga desbocada... amiga recatada... amiga mais ou menos... amiga apagada. Tenho amigo homem... amigo homo... e amigo que não sabe o que é. Tenho leves covinhas nas bochechas. Tenho vontade de assistir o nascer e o pôr do sol todos os dias. Tenho preferência por carboidratos... e alergia à dipirona e AAS.
Tenho preguiça. Preguiça, talvez, do equilíbrio. Desregrada... emaranhada... descompensada... é, sim, talvez. Talvez do meu jeito eu tenha esse tal de equilíbrio. Talvez... mas do meu jeito.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Devaneios do ID





E quanto ao tempo?


Peço para ele passar arrastado

como baiano em dia de sexta

como brisa na beira do cais


Peço que me visite em silêncio

que me entorpeça, que me vende os olhos

que me atravesse e me cause dormências


Peço que ligeiramente me acorde

só para cair em desgosto

que me envolva, que me seduza


Peço que vá ao contrário

que me vire pelo avesso

avesso às banalidades deste mundo


Peço ao tempo que pare...

... e paro pedindo mais tempo

àquele que nunca (ou sempre!) esperei

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cobra de araque...

Ele abriu uma janela de conversação. Eu sabia. Estava lá, entregue pelo meu segredinho. A foto era em sépia. De lado, posava para um retrato semi espontâneo, com um fone de ouvido. Segurava um microfone e, a sua frente, estava seu trabalho. Na verdade, a foto era para dar a entender que ele é quem estava à frente de qualquer coisa.
Questionei-me por quanto tempo ele esteve à frente dos meus mais profundos e ignorantes sentimentos. Medíocres, conclui. Sim, me questionei afirmativamente sobre isso por longos dezessete meses. Até que... até que, acredito eu, acabei trocando 6 por meia dúzia.
Chamarei o segundo personagem deste texto de Cobra. Não por ser venenoso (ele até é... mas com o que deve ser), mas por silvar dúvidas sufocantes a cada encontro. Toda vez é a mesmíssima coisa: um clima estranho paira no ar a noite inteira, nada acontece e fico com cara de "ué" no fim das contas.
A partir daí minha cabeça é invadida por pensamentos de que tudo sempre pode piorar. Será minha aparência? Meu jeito extrovertido demais? Minha boca sem controle em falar o que pensa? Minha ociosidade criativa? Minha curiosidade irritante?
Qual o meu problema? O último encontro caracterizaria como desastroso, se não frustrante. O visual, fantástico. O silêncio, perfeito. A iluminação, incrível. A situação, mais que propensa: digna. E o que aconteceu? Nada. Nothing. Niente. E isso me angustia, pois penso que se nem nisso tenho sido capaz de me sair bem, que dirá no resto das situações de minha vida.
E sinceramente? Isso me afeta. Claro que afeta! Mas e daí? Um dia não afetará mais. Não há como sair satisfeita com tudo. E, depois de tudo o que passei com o primeiro personagem deste texto, repetir o mesmíssimo erro é burrice. Acho que minha satisfação, mais uma vez, terá de ser comigo mesma. Mas, enfim...
O corpo fala. Inspiração até para título de livro, tal frase acaba se tornando uma exceção quando o assunto é o Cobra. O corpo dele não fala! Não diz que sim... não diz que não... não fala talvez... Como se consegue ser assim? Então, já imaginem como seria cansativo ter um relacionamento com alguém que lembra um muro de concreto de tanta imparcialidade quanto às suas intenções.
Mas, mais intrigante que a nulidade de atitudes, é a reciprocidade existente entre o Cobra e uma personagem digna de nome de música do Sidney Magal. Além de feia, é bobinha, força uma barra e vira motivo de chacota com fotos mal e porcamente manipuladas por Photoshop, postadas em sites de relacionamento. Caramba, diante disso, o mínimo é visualizar-me com uma arma na mão atirando em minha própria cabeça.
Eis que me pergunto a tal pergunta clássica feita repetidas vezes, a cada desilusão: o que ela tem que eu não tenho? Mas, depois de auto e altas análises, eis que ouço de uma amiga a mesma história vivida por ela e com a seguinte conclusão: não há como saber. Não tem como se entender e a única justificativa é aquela péssima verdade: ele simplesmente não está afim de mim.
Já passei por situações piores e, desta vez, acho que tiro de letra. Ainda mais sabendo que, um dia, ficará afim de mim. Não que ele vá reconhecer as minhas qualidades. Ou que simplesmente vá enjoar da cigana do Magal. Mas, só saberá o que eu senti e o que eu "gritei" a todo momento com minhas mãos, meus olhos, meus assuntos e meus sorrisos, quando eu já estiver em outra. Assim foi com o rapaz (hoje, literalmente) em sépia.
Mas aí, quando isso acontecer, o Cobra saberá quem realmente consegue dar o bote. E, uma vez envenenado, ele que ache a maneira dele de remediar.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Estendendo as palavras de um poeta...

Quem tem amigos, tem tudo. É verdade! Não é um clichê puro e simplesmente criado para enganar a trouxas. Ter amigos é essencial para existência humana. E a cada dia que passa, percebo mais claramente o quanto esse sentimento além-fraterno é vital.
Os amigos são aqueles que entram na sua casa sem ser anunciado pelo porteiro e pela simples campainha. Eles vão simplesmente entrando, largando tudo em cima da sua cama. Cumprimentam seus pais como verdadeiros tios. E em muitos casos é o que eles acabam se tornando.
Os amigos olham para você com sorriso maroto depois de uma flatulência e lhe sacaneiam o dia inteiro. Eles entram no banheiro, usam seu xampu e seu creme dental. E, em determinados casos, chegam a deixar uma escova de dente extra em sua casa.
Os verdadeiros amigos lhe ligam em pleno domingo a noite lhe xingando de todos os nomes pois você está "derretendo" em cima de uma cama. E magicamente transformam o dia mais triste da semana em um momento único, testemunhado pelo silêncio da noite e pela lua no céu. Torna tudo belo e inesperado, assim como devem ser todas coisas.
Amigos discordam. Os verdadeiros discordam mas, insanamente ao mesmo tempo, concordam com tudo o que diz, faz, pensa e supõe. Discordam nas coisas mais banais como estatísticas, detalhes da morte de um astro, situações que aconteceram há anos... enfim. Mas no fundo, no fundo, se amam e não conseguem viver separados um do outro.
Eles lhe escutam. Metem-se de psicólogos mas, no fundo, são extremamente passionais. Claro! Eles não aguentam ver o seu sofrimento. Podem lhe falar desaforos, mas irrelevantes. Na verdade, na verdade, eles gritam contigo a fim de lhe proteger do mundo ruim... a fim de acordar para o mundo bom.
Os amigos contam e escutam as histórias mais mirabolantes. São prolixos por que sabem que você, além de o ser também, gosta de ouvir repetidamente a mesma coisa. E sempre lhe sorriem como se ouvissem uma novidade.
Eles usam metáforas, muitas vezes. Têm raiva da palavra "coincidência" e acreditam na força do Universo. Tentam criar, junto com você, teorias, suposições. Mas, antes de tudo isso acontecer, eles se arrumam em cinco minutos, depois de uma ligação surpresa feita por você.
Eles lhe olham dentro dos olhos e sabem quando você chorou. Lhe sacaneiam profundamente quando você se apaixona, mas ficam com raiva quando o mesmo acontece com eles. Dançam como loucos. Gritam como loucos. E nos amam como loucos.
Amigo que é amigo resolve seus "pepinos" quando você está viajando. Acredita no cosmos e faz de sua energia a premissa para a Era de Aquários. Está nos anos 2000, mas vive nas década de 60/70.
Enfrentam a dor contigo na hora da primeira tatuagem (e na segunda, na terceira, na quarta...). Mistura as roupas do armário e fica "super fashion" para que você note e o elogie. Só os verdadeiros amigos sabem fazer verdadeiros carinhos sendo estes um cafuné ou tapa, beliscões e chutes. São aqueles que criam brincadeiras idiotas com fuscas verdes e azuis e kombes azuis e, mesmo sabendo que são idiotas, você quase morre de rir.
São aqueles que, mesmo distantes, nunca esquecem da sua existência e sempre pedem para você voltar à terra deles. Os verdadeiros amigos são aqueles que se contentam em passar duas horinhas no aeroporto para lhe encontrar, no momento de uma conexão, após um ano sem se ver. E, os mais leais, são os que estão telepaticamente ligados à ti.
Sem amigos, nada somos. Não há belo e inesperado. Não há desavenças para haver reconciliações. Não há as mais sinceras lágrimas, os mais sinceros sorrisos, os mais sinceros conselhos e as mais sinceras alegrias. Antes de sermos irmãos, pais, esposas, maridos e filhos, temos de ser amigos. Isto é fato.
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que perdesse todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos. Palavras de um poetinha.